Na noite desta quinta-feira (27) para sexta-feira (28), um eclipse lunar quase total poderá ser observado em todo o Brasil. O fenômeno oferece aos brasileiros uma nova oportunidade de acompanhar um evento astronômico no céu, após o eclipse solar total do último dia 12 não ter sido visível no país, nem mesmo parcialmente.
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É uma regra da mecânica celeste: ou antes ou após um eclipse solar, sempre vem um eclipse lunar, ocorrendo geralmente com cerca de duas semanas de diferença devido ao alinhamento dos astros. Desta vez, o eclipse lunar poderá ser visto diretamente por todos os brasileiros, dependendo apenas da condição do tempo. O Observatório Nacional (ON), como de costume, fará a transmissão ao vivo para este evento.
Segundo a astrônoma do Observatório Nacional (ON), Josina Oliveira do Nascimento, o fenômeno vai obscurecer 96,2% da Lua, o que o torna visualmente quase um eclipse total.
O que é?
Um eclipse lunar ocorre quando a Lua entra na sombra projetada pela Terra. Como o plano da órbita da Lua é inclinado em 5 graus em relação ao plano da órbita da Terra ao redor do Sol, esse alinhamento não ocorre em todas as fases de Lua Cheia.
“O Sol incide na Terra e uma sombra se forma no espaço. Essa sombra tem duas partes: a penumbra (sombra clara) e a umbra (sombra escura)”, explica Josina Oliveira.
No evento dessa noite, a Lua mergulhará profundamente na umbra, criando o efeito de uma “mordida” que cobrirá quase todo o disco lunar.
Horários e visibilidade no Brasil
Diferentemente do eclipse solar de 12 de agosto, cuja sombra atingiu apenas o Hemisfério Norte, o eclipse lunar é visível para qualquer pessoa que possa ver a Lua no momento do fenômeno. No Brasil, veremos todas as fases. Confira os horários no Horário Legal de Brasília (fuso -3h):
- Início do eclipse penumbral: 27 de agosto às 22h24min
- Início do eclipse parcial: 27 de agosto às 23h34min
- Máximo do eclipse parcial: 28 de agosto às 01h13min (momento de maior obscurecimento)
- Fim do eclipse parcial: 28 de agosto às 02h52min
- Fim do eclipse penumbral: 28 de agosto às 04h02min
A duração da fase parcial (a mais perceptível) será de 3 horas e 18 minutos. Para outros fusos, deve-se ajustar: subtrair 1 hora para o fuso -4h, 2 horas para o fuso -5h ou somar 1 hora para o fuso -2h.
Como observar com segurança
Enquanto o Sol exigia o uso rigoroso de filtros como o vidro de soldador 14 para evitar danos permanentes à retina, o eclipse da Lua é totalmente seguro.
“Para ver o eclipse da Lua não é preciso nenhum aparato, basta olhar e contemplar pelo tempo que quiser”, afirma Josina Oliveira. Não há necessidade de cuidados especiais, exceto torcer para que o tempo não esteja nublado. A astrônoma brinca que o único preparo necessário é “tirar um cochilo antes para aguentar ficar acordada ou acordado durante a madrugada”.
Próximos eventos no calendário
Se você perder este fenômeno, as próximas chances serão mais discretas por um tempo: o ano de 2027 terá dois eclipses lunares, mas todos do tipo penumbral, onde a diferença de brilho é quase imperceptível a olho nu. E, além disso, um quase eclipse lunar.
Em 2028, na noite de 11 para 12 de janeiro haverá um eclipse parcial da Lua visto em todo o Brasil, mas o obscurecimento da Lua será de somente 2,4%. Neste ano também haverá um eclipse parcial da Lua e outro total, mas que não serão visíveis no Brasil.
Um eclipse total da Lua, com o disco ficando avermelhado e visível em todo o Brasil, só vai ocorrer na noite de 25 para 26 de junho de 2029.
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